Reich e o Orgone

Wilhelm Reich era austríaco e foi aluno de Freud, tendo-se formado médico psiquiatra em 1922.

Ele e Freud discordaram devido a suas percepções sobre a libido, que é  a força-motriz do processo psicológico . Freud achava que a libido era de origem química e Reich achava que era de origem energética. Reich decidiu isolar e medir a libido, como uma energia física.

Como um pioneiro no estudo da sexualidade humana, ele usou métodos experimentais para examinar, analisar e medir vários aspectos da cópula humana. Concluiu que a habilidade para fazer amor era dependente da habilidade física de fazer amor como “potencia orgástica” onde os aspectos físicos, emocionais e mentais da sexualidade estariam todos funcionando em alto nível. Fazendo experiências com estimulação elétrica das zonas erógenas ele demonstrou que os sentimentos sexuais de toque, prazer e dor poderiam ser medidos em laboratório. Ele utilizou um voltímetro muito sensível com sensores acoplados ao corpo para detetar pequenas variações da bioeletricidade. Ele descobriu que:

1) a energia fluía do interior do corpo para a superfície (em direção ao mundo) quando a pessoa sentia prazer ou expansão; e contrariamente ela fluía da superfície para o interior ( para fora do mundo) nos estados de ansiedade, medo e contração.

2) que as condições de expansão e contração afetavam a pessoa, não apenas emocionalmente, mas também no sistema nervoso autônomo, no celular e até nos níveis químicos.

3) Estados de expansão produzem condições parasimpáticas associadas com dilatação dos vasos sanguíneos e aumento da circulação, alivio da dor, melhoria da digestão e do peristaltismo, baixa da pressão arterial, estimulação da produção de potássio e lecitina, além de criar uma sensação de bem-estar e excitação sexual. Estados de contração, por sua vez, produzem efeitos simpáticos : constrição dos vasos sanguíneos, diminuição do fluxo sanguíneo, muitas vezes dor, aumento da pressão arterial e do batimento cardíaco, aumento do colesterol, da adrenalina, inibição da digestão e suprimento de sangue para os órgãos genitais e é associada com as emoções de ansiedade e stress.

A capacidade do corpo de expandir e contrair e não ficar parado em um único estado, cria o que Reich chamou de pulsação da vida que distingue a vida da não-vida. Esta pulsação de expansão e contração segue um ritmo especifico de quatro tempos:

Tensão  – Carga – Descarga – Relaxamento

Reich observou este padrão de energia em todos os órgãos do corpo: da batida do coração, aos movimentos peristálticos do intestino, e obvio na função sexual da descarga orgástica. Ele chamou este padrão pulsante de função do orgasmo ou a Fórmula da Vida.

Ele chamou a energia básica que gera esta pulsação de orgone ( em inglês)

 

Em 1934, na Noruega,  W.Reich fez experiências com protozoários.Ele colocou grama na água e observou com microscópio. Em vez de ver o desenvolvimento de germes como a “teoria dos germes” previa, ele viu que a grama lentamente se decompunha. Primeiro, os cloroplastos e a seguir a estrutura celular do tecido da planta desfez-se em vesículas azuis. Estas vesículas depois se agrupavam e se comportavam como organismos unicelulares, em alguns casos membranas se desenvolviam em torno do grupo de vesículas individuais. Reich  chamou estas vesículas de “bions” e viu que elas formavam blocos de vida. Ele começou uma serie de experimentos com  os bions em 1936 quando ele cultivou bions de diversos materiais – grama, argila, terra, pó de carvão, areia, etc. Algumas preparações foram cultivadas em um ambiente completamente  estéril ( algumas substancias foram guardadas em fornos secos a 180ºC e então aquecidas ao ponto de incandescência luminosa branca antes de serem colocadas em uma solução estéril). Estas substancias também desenvolveram bions. Reich estava testemunhando a abiogênese.

Após resfriar as culturas fervidas, ele colocou parte do material em uma cultura destinada a fazer crescer bactérias. Um fenômeno inacreditável aconteceu: das culturas de bions nasceu um tipo peculiar de bactéria – uma ameba!

Reich concluiu que as vesículas eram formas intermediarias (transicionais) entre a vida e a não-vida. Substancias inorgânicas ” mortas” davam nascimento a vesículas que pulsavam com vida. Um estágio elementar de vida não reconhecido.

Por volta de 1940, a abordagem química era predominante. Isto em parte se deveu ao fato de que o principal financiador das pesquisas cientificas,  a Fundação Rockefeller, tinha uma antipatia contra abordagens energéticas como a de Reich.

Quando Reich publicou The Bion Experiments On the Origin of Life, em Oslo, em 1938, o livro criou um furor, pois inadvertidamente, Reich havia escrito que isto poderia levar a cura do câncer.

Isto o fez pesquisar mais sobre câncer. Ele colocou tecido canceroso em frascos com liquidos nutrientes. Depois de algum tempo verificou que estes frascos apresentavam uma coloração azul-esverdeada. Toda vida contem orgonio e quando esta energia diminui nas células, seja por doença ou por envelhecimento, as células entram em um processo de morte que Reich chamou “bionous degeneration” ( degeneração biônica). Como conseqüência desta degeneração, bacilos T começam a se formar nas células. Os bacilos receberam a denominação T porque Tod em alemão significa morte

Reich descobriu estes micróbios em pessoas com outras doenças e também no sangue e fezes de pessoas saudáveis.

O sangue de pacientes com câncer produzia bacilos T fácil e rapidamente. Ao contrario, o sangue normal produzia os bacilos lentamente. Reich concluiu que a disposição para o câncer era  determinado pela resistência biologica do sangue e dos tecidos para a degeneração. Esta resistência biológica por sua vez é determinada pelo orgone contido no sangue e nos tecidos, o que significa dizer, pela potencia organótica do organismo.

Em 1939, Reich vai para os Estados Unidos.

Uma determinada cultura de bions produzida de areia aquecida, apresentou propriedades não usuais: no escuro, a cultura irradiava um luz azul clara; quando pegava com a mão um formigamento podia ser sentido; perto dela pequenas ferramentas do laboratório ficavam magnetizadas; a pele dos funcionários ficava bronzeada por baixo das roupas e quando uma pequena parte da cultura era colocada próximo a bactérias, a forte radiação dos bions as imobilizava e matava.

Reich fez uma gaiola de Faraday  a cobriu com algodão e lã. Depois de colocar diversas culturas dentro e  observa-lás por uma pequena abertura, ele viu flashes de luz e vapores azulados dentro da caixa. Estes sinais de radiação vinham realmente das culturas de bions.    Ele descobriu que esta radiação estava presente independentemente de onde a cultura estivesse, e poderia ser concentrada em um envoltório de metal. Ele chamou esta radiação de energia orgonica.(orgone energy)

Reich descobriu que materiais orgânicos atraem e mantém a energia orgonica; e metais atraem e rapidamente a repelem. Construindo um envoltório similar a gaiola de Faraday, coberta internamente com metal e feita com camadas alternadas de materiais orgânicos e inorgânicos, ele descobriu que o orgonio presente na atmosfera podia ser acumulado e concentrado no seu interior. Ele chamou este equipamento de Acumulador de Energia Orgonica.

 

O Acumulador de Orgone

 

Reich descobriu que a energia do orgone era conduzida em varias velocidades em diferentes substancias. Não-Condutores elétricos tais como lã, papel, seda, e plástico são excelentes condutores de orgone e até tendem a absorvê-lo. Contrariamente, condutores elétricos tais como ferro, cobre, e outros metais são condutores pobres ou lentos e absorvedores da energia do orgone.

Outra descoberta, que o orgone atrai a si mesmo, mais o principio de condução acima mencionado levaram Reich a invenção do acumulador de orgone. O acumulador consiste de  camadas alternadas de um bom condutor de orgone com um pobre condutor de orgone. Por exemplo, uma caixa com camadas alternadas de madeira e folhas de metal com a camada mais externa de madeira e a mais interna de metal, faz um bom acumulador de orgone.

Quatro camadas de madeira e metal fazem um acumulador de orgone de 4 camadas.

 

Características do Orgone

A lista de características que Reich e seus seguidores acumularam sobre a energia do orgone segue abaixo. Se uma pequena porção destes efeitos são corretos, o trabalho de Reich sobre orgone é sem duvida um dos grandes trabalhos científicos do século 20.

 

  • Orgone é uma força viva da natureza
  • A terra é envolvida em um campo azul e dinâmico de energia de orgone.
  • Camundongos em um acumulador de orgone morreram mais rápido quando colocados próximo a maquinas de Rx operando. Teoricamente a radiação dos raios-x superexcitaram o orgone fazendo destrutivo.
  • A Terra recebe enormes quantidades de orgone do Sol.
  • Orgone se estende por todo o espaço mas em diferentes concentrações.
  • Orgone esta sempre pulsando e responde pela contração e expansão de todas as coisas.
  • Orgone não tem massa, nem inércia, nem peso.
  • No orgasmo sexual enormes quantidades de orgone são desprendidas do corpo.
  • Orgone é um meio para gravitação e atividade eletromagnética.
  • Orgone atrai concentrações dele próprio; portanto ele contradiz a lei da entropia. Processos orgonóticos são quantitativamente diferentes dos processos entrópicos.
  • Orgone forma unidades que vem a ser um foco de atividade de vida. Estas unidades tem um ciclo de vida familiar de nascimento, crescimento, maturidade e decaimento.
  • Matéria é criada da energia do orgone sob condições apropriadas
  • Veios separados de orgone podem ser atraídos um pelo outro. O resultado é uma superposição e é a forma básica dos processos criativos. As formas espirais das galáxias e ciclones são dois exemplos.
  • Orgone pode ser controlado pelos acumuladores de orgone. Isto contraria a segunda “lei” da termodinâmica ou ao menos mostra que é um caso limitado de alguma lei maior.
  • O clima, tal como umidade, temperatura, e tempo, afetam a acumulação de orgone.
  • Concentrações de bions (matéria carregada com orgone) produziram obscurecimento em uma placa fotográfica.
  • Orgone se move na direção do campo magnético e em ângulo reto aos campos elétricos.
  • Reich acreditava que a eletricidade estática é realmente orgone; portanto, o eletroscópio é o instrumento de medida para a energia do orgone.
  • Orgone é absorvido pela água
  • Orgone é polarizado
  • Orgone pode ser controlado pela mente e foi demonstrado em experiências.
  • Orgone pode ser usado como uma força motora
  • Orgone torna-se perigoso quando excitado pela radioatividade
  • Equipamentos de orgone podem ser usados para controlar o clima. (Cloud Busters)

 

Motor movido a energia do Orgone

 

Durante o período de pesquisas de Reich em seu laboratório, quando Reich comprou um medidor Geiger-Muller de radioatividade que detecta raios gama, raios-x e raios cósmicos, em 1947, ele fez uma das mais significantes descobertas.

Quando o contador Geiger foi posto em um acumulador de orgone ele deu uns poucos e esporádicos clicks como indicação de radiação e depois parecia ter “morrido”. Depois de três meses Reich tentou novamente e descobriu que ele estava dando 6000 clicks/minuto. Reich imaginou que o tubo do contador ficara saturado com a energia do orgone enquanto estava no acumulador de orgone. Reich então saturou alguns tubos de vácuo por uns poucos meses em um acumulador de orgone e conseguiu medir 100.000 clicks/minuto. Isto é uma taxa muito alta até para radiação atômica.

Devido a força de ionização extremamente alta produzida nos tubos, Reich teorizou que os tubos saturados com orgone poderiam ser usados para mover um motor. Um experimento foi feito e em 24 de junho de 1948, Reich colocou um motor elétrico em funcionamento usando os tubos de vácuo que ele havia saturado com energia do orgone. O motor era um Western Electric KS 9154, numero de serie 7227. Isto foi testemunhado por cinco membros da sua equipe de laboratório.

A velocidade do motor era afetada pelo horário do dia e pelo clima de acordo com Reich.

Até onde se sabe esta foi a extensão das pesquisas de Reich nas aplicações da energia do orgone em aplicações de potencia.

 

A FDA e Reich

 

A FDA – Food and Drug Administration –  processou Reich por colocar seu acumulador de orgone como cura de câncer, usando como motivo que a energia do orgone não existia. Isto foi em 1954. Reich acabou preso por 9 meses em uma prisão Federal. Enquanto ele estava preso, o governo queimou, proibiu ou confiscou todos os livros que faziam qualquer menção a energia do orgone. Reich morreu 8 meses depois de aprisionado, duas semanas antes da sua libertação. O objetivo de parar todas as pesquisas de Reich e a sua divulgação foi conseguido.

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