Geometria x frequências

Ernst Florenz Friedrich Chladni foi um físico alemão (1756-1827). Por seu trabalho sobre vibração e o cálculo da velocidade do som para diferentes gases é considerado o fundador da acústica. Os padrões geométricos formados numa camada fina de areia sobre uma placa de vidro ou metal vibrando em freqüências diferentes são chamados “Figuras Sonoras de Chladni”.

Atualmente esta experiência pode ser feita usando um gerador de ondas ligado a um alto-falante e sobre este colocar uma fina camada de areia, farinha, ou outro pó. Nas áreas onde há interferência com anulação das ondas vibratórias, o pó acumula-se e nas áreas de maior atividade vibracional, o material não se deposita, gerando desenhos geométricos.

Cimática

Em 1967, Hans Jenny, um medico suíço, artista e pesquisador, publicou o livro bilíngüe Kymatik – Wellen und Schwingungen mit ihrer Struktur und Dynamik/ Cymatics – The Structure and Dynamics of Waves and Vibrations.

O termo cimática foi cunhado por ele e deriva do grego kyma (κύμα), que significa “onda”, e ta kymatika (τα κυματικά), que significa “assuntos referentes a ondas”.

Inspirado pela teoria dos sistemas e pelo trabalho de Ernst Chladni, Jenny iniciou uma investigação sobre fenômenos periódicos, especialmente a observação visual do som. No site http://www.cymatics.org/ podem ser vistos os resultados destas pesquisas.

Jenny usou osciladores de cristal e criou um aparelho que chamou de tonoscopio (tonoscope), para colocar placas e membranas para vibrar. A vantagem do oscilador de cristal é que permite determinar exatamente que freqüência e amplitude/volume se deseja. Assim era agora possível pesquisar e seguir um conjunto continuo de eventos em que tinha-se a possibilidade de variar a freqüência ou a amplitude ou ambos.

O tonoscopio foi construído para fazer a voz humana visível sem qualquer aparato eletrônico como um meio intermediário. Isto permitiu a possibilidade de se fazer visível a imagem física de uma vogal, tom ou canção produzido por um ser humano, diretamente.

Cimática pode ser traduzido como: o estudo de como as vibrações, em um amplo senso, geram e influenciam padrões, formas e processos de movimento.

Jenny descobriu que se ele vibrasse uma placa a uma freqüência e amplitude especifica – vibração – as formas e padrões de movimento característica daquela vibração apareciam no material sobre a placa. Se ele alterasse a freqüência ou a amplitude, o desenvolvimento e o padrão eram alterados também. Ele descobriu que se aumentasse a freqüência, a complexidade dos padrões aumentava, o numero de elementos ficava maior. Por outro lado se aumentasse a amplitude, os movimentos ficavam mais rápidos e turbulentos e podiam até criar pequenas erupções, onde o material era lançado ao ar.

Quando Jenny experimentou com vários tipos de fluidos ele produziu movimento de ondas, espirais, e padrões como ondas em continua circulação. Com a ajuda de limalhas de ferro, mercúrio, líquidos viscosos, substancias plásticas e gases, ele investigou os aspectos tridimensionais dos efeitos da vibração.

Em suas pesquisas ele percebeu que quando as vogais das línguas antigas do Hebraico e do Sânscrito foram pronunciadas, a areia tomou a forma dos símbolos escritos destas vogais, enquanto nossa linguagem moderna, por outro lado, não gerava o mesmo resultado!

Um fenômeno interessante apareceu quando ele inclinou uma placa vibrante coberta com liquido. O liquido não se rendeu a influencia gravitacional e escorreu pela placa mas permaneceu na placa e continuou construindo novos formatos como se nada tivesse acontecido. Se, entretanto, a oscilação fosse desligada, o liquido começava a escorrer, mas se ele fosse bem rápido e religasse as vibrações, ele podia voltar com o liquido para o lugar na placa. De acordo com Jenny, isto era um exemplo de um efeito antigravitacional criado pelas vibrações.

Jenny ficou convencido de que a evolução biológica foi um resultado de vibrações, e que sua natureza determina o resultado final. Ele especulou que toda célula tinha sua própria freqüência e que um numero de células com a mesma freqüência criavam uma nova freqüência que era harmônica com a original, o que então formava um órgão que também criava uma nova freqüência em harmonia com as duas anteriores. Jenny estava dizendo que a chave para entender como nós podemos realmente curar o corpo com a ajuda de sons reside no nosso entendimento de como diferentes freqüências influenciam genes, células e varias estruturas no corpo.

No ultimo capitulo de seu livro Cymatics, Jenny sumariza estes fenômenos. O poder fundamental e gerador está na vibração que, com sua periodicidade, sustenta o fenômeno com seus dois pólos. Em um pólo temos a forma, o padrão da figura. No outro está o movimento, o processo dinâmico. Estes três campos – vibração (e periodicidade) como o campo base, forma e movimento como os dois pólos – constituem um todo indivisível, diz Jenny, muito embora um possa dominar às vezes.

Existe uma similaridade entre as figuras da Cimatica e as partículas quânticas. Em ambos os casos aquilo que parece uma forma sólida é também uma onda. Este é o grande mistério com o som: não há solidez! A forma que parece sólida é na realidade criada por uma vibração subjacente.


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