O Paradigma Holográfico

Durante sua história, a ciência ocidental tem trabalhado dentro do conceito de que a melhor maneira para se entender um fenômeno físico, seja ele uma baleia ou um átomo, é dissecá-lo e estudar suas partes respectivas.

Já um holograma nos ensina que muitas coisas no universo não podem ser conduzidas por esta abordagem, pois ao tentarmos tomar parte dele, não obteremos suas peças constituintes, mas apenas ‘inteiros’ menores. Num holograma, como veremos adiante, um padrão em 2 dimensões gera uma imagem em 3 dimensões, usando laser de luz.

Este ‘insight’ é sugerido por David Bohm – veja mais nesse link –  como outra forma de compreender os aspectos da descoberta de Alain Aspect (que comprovou experimentalmente na década de 1980 que  partículas separadas por uma distancia de 12 metros se comunicavam a velocidade vinte vezes mais depressa que a velocidade com que  a luz viaja no espaço vazio, provando o emaranhamento quântico e que a velocidade da luz não é o limite de velocidade de propagação das ondas) . Bohm acredita que a razão que habilita as subpartículas a permanecerem em contacto umas com as outras, a despeito da distância que as separe, não é porque estejam enviando algum tipo de ‘sinal misterioso’, mas porque esta separação é uma ilusão… e diz: ‘num ‘nível mais profundo de realidade’, estas partículas não são entidades individuais, mas sim, extensões da mesma coisa fundamental.’

Para capacitar as pessoas a melhor visualizarem o que ele quer dizer, Bohm oferece a seguinte ilustração: Imagine um aquário que contenha um peixe… imagine também que você  não é capaz de ver este aquário diretamente, e seu conhecimento deste aquário se dá por meio de duas TVs – com uma câmara dirigida à frente e outra à lateral do aquário.

Se você observar simultaneamente as duas imagens, sem saber da existência das duas câmaras, acabará presumindo que o peixe de cada uma das telas é uma entidade individual. Isto porque, como as câmeras foram colocadas em ângulos diferentes, cada uma das imagens será também ligeiramente diferente. Mas se você continuar olhando para os 2 peixes, acabará adquirindo a consciência de que há uma relação entre eles – quando um se vira, o outro faz volta correspondente… quando um se coloca de frente para a frente, o outro se coloca de frente para o lado… e, como você não sabe das câmeras, pode ser levado a concluir que ‘os peixes estão se intercomunicando’, apesar de sabermos que este não é o caso.

Isto, diz Bohm, é precisamente o que acontece com as partículas subatômicas na experiência de Aspect, em que a aparente ligação ‘mais-rápida-do-que-a-luz’ entre as partículas, está nos dizendo que existe um ‘nível de realidade mais profundo’, uma dimensão mais complexa além da nossa própria, que é análoga ao aquário. E acrescenta: ‘vemos objetos, como estas partículas subatômicas, como se estivessem separados uns dos outros, porque estamos vendo apenas ‘uma porção’ da realidade deles… pois estas partículas não são partes separadas, mas sim, facetas de uma UNIDADE mais profunda e subliminar, que é holográfica e indivisível… e, como tudo na realidade física está compreendido dentro destes espectros, o próprio universo pode não passar da projeção de um holograma’!

Em adição a esta natureza fantástica, este universo possuiria outras características surpreendentes: se a aparente separação das partículas subatômicas é uma ilusão, isto significa que, nesse ‘nível mais profundo de realidade’, todas as coisas do universo estão infinitamente interconectadas.

Seja o paradigma holográfico de Bohm e Pribram – http://www.karlpribram.com/karl-pribram-1919-2015/ – aceito na ciência ou morra de morte ignóbil, é seguro dizer que ele já tem influenciado a mente de muitos cientistas.

E mesmo que seja decidido que o modelo holográfico não oferece a melhor explicação para as comunicações instantâneas que ocorrem entre partículas subatômicas, no mínimo, como observou Basil Hiley, físico do ‘Birbeck College’ de Londres, os achados de Aspect ‘indicam que devemos estar preparados para considerar radicalmente novos pontos de vista da realidade’.


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As evidencias de um campo que conservaria e transmitiria informações…